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John Lennon: quem acabou com o sonho?
Alguns f√£s dos Beatles acreditam que Mark Chapman matou John Lennon a mando da CIA, do FBI e da direita americana
Redação 2016-03-15
Chapman deu os tiros, mas os verdadeiros culpados est√£o soltos.

O lun√°tico americano Mark Chapman n√£o agiu sozinho na noite de 8 de dezembro de 1980, quando acertou quatro tiros √† queima-roupa em John Lennon, em frente ao Edif√≠cio Dakota, em Nova York. Chapman puxou o gatilho de seu rev√≥lver calibre 38 a mando da CIA, do FBI e de membros da extrema-direita dos Estados Unidos. Diversas teorias sobre a morte do ex-beatle surgiram 25 anos depois do ataque. Mas nenhuma √© t√£o eloq√ľente quanto a do advogado e jornalista brit√Ęnico Fenton Bresler, autor do livro Who Killed John Lennon? (Quem Matou John Lennon?, sem vers√£o em portugu√™s). Bresler n√£o tem d√ļvidas: o m√ļsico foi eliminado por ser tido como um extremista e uma influ√™ncia subversiva √† juventude americana.

Ele acredita que v√°rios fatos confirmam a teoria conspirat√≥ria. Primeiro, Lennon foi realmente investigado pelos √≥rg√£os de intelig√™ncia dos Estados Unidos e da Gr√£-Bretanha. Segundo, seu visto de imigrante foi negado v√°rias vezes pelo governo americano, que ainda tentou deport√°-lo. Terceiro, o assassinato aconteceu √†s v√©speras de a ala conservadora do Partido Republicano retomar o poder nos Estados Unidos. Para piorar, uma nova informa√ß√£o apareceu em 2004: o servi√ßo secreto brit√Ęnico, o MI5, desconfiava de liga√ß√Ķes de Lennon com o Ex√©rcito Revolucion√°rio Irland√™s, o IRA.

A conspira√ß√£o levou 11 anos para chegar ao √ļltimo cap√≠tulo. Tudo teria come√ßado em 1971, quando Lennon realizou o concerto Free John Now Rally, pela liberta√ß√£o do poeta e ativista pol√≠tico americano John Sinclair, preso por porte de maconha. At√© 1976, a vida do roqueiro foi vasculhada por espi√Ķes e grampos telef√īnicos, virando um dossi√™ de 300 p√°ginas. O FBI e a CIA julgavam Lennon um radical perigos√≠ssimo, pois tinha a capacidade invej√°vel de se comunicar com milh√Ķes de jovens, aqueles que aprenderam a am√°-lo como um dos Beatles. Qualquer id√©ia subversiva seria rapidamente aceita pela juventude. O governo americano precisava det√™-lo a qualquer custo, pois estava em jogo a seguran√ßa do pa√≠s. Segundo Bresler, a solu√ß√£o encontrada foi a mesma j√° destinada a Martin Luther King e outros l√≠deres populares do pa√≠s: o exterm√≠nio. S√≥ que, em 1976, a linha-dura dos republicanos perdeu as elei√ß√Ķes presidenciais para os democratas. Mais arejado, o novo presidente, Jimmy Carter, segurou o √≠mpeto assassino da pol√≠cia federal e do servi√ßo secreto. Assim, Lennon conseguiu o green card e decidiu fazer um retiro profissional, sob a alega√ß√£o de acompanhar o crescimento de Sean, seu segundo filho, o primeiro com Yoko Ono. Foram anos de paz, nos quais ele e a fam√≠lia puderam viver em seguran√ßa nos Estados Unidos.

Como se sabe, tamb√©m foram os √ļltimos anos de vida do m√ļsico. Em 1980, os republicanos venceram as elei√ß√Ķes e logo reassumiriam o poder. Nos √ļltimos meses de governo, Carter j√° n√£o mandava em ningu√©m, muito menos no FBI e na CIA. Ao mesmo tempo, Lennon estava lan√ßando um novo disco, Double Fantasy, que rapidamente estourou nas paradas de sucesso. Segundo Bresler, os conspiradores decidiram iniciar o novo mandato presidencial sem o temido extremista de esquerda. O agente de carreira William Casey, que administrara a campanha vitoriosa de Ronald Reagan e nos anos seguintes se tornaria um dos mais poderosos chefes da CIA, ganhou carta branca para matar Lennon antes do final de 1980. Segundo a teoria de Bresler, o assassino, Mark Chapman, j√° estava sendo preparado pelo programa de controle mental do servi√ßo secreto americano (leia mais na p√°gina 68). Ele viajaria do Hava√≠ para Nova York, procuraria a v√≠tima e mataria Lennon a sangue frio, √† frente de testemunhas que, posteriormente, pudessem identific√°-lo como o criminoso. Essas testemunhas ? isso √© fato ? foram a vi√ļva Yoko Ono e o porteiro do edif√≠cio Dakota, Jose Perdomo.

Ningu√©m contesta que Chapman atirou no ex-beatle. Mas as contradi√ß√Ķes, segundo Bresler, provam que ele n√£o arquitetou o assassinato. A Justi√ßa condenou Chapman sob a alega√ß√£o de que ele buscava os seus 15 minutos de fama nos Estados Unidos. Certo, matar uma celebridade colocaria qualquer um nas capas dos principais jornais e revistas do pa√≠s. No entanto, o detetive Arthur O?Connor, a primeira pessoa a conversar reservadamente com o assassino, disse que a acusa√ß√£o n√£o fazia sentido, pois Chapman sempre evitou a imprensa. Por que algu√©m em busca da fama se negaria a dar entrevistas? Meses ap√≥s o ataque, ele anunciou que matara Lennon para promover a leitura do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. O estranho √© que, antes disso, nunca tinha falado com amigos sobre a obra do escritor americano. J√° preso, Chapman declarou √† BBC: ?Ele (Lennon) passou por mim e ent√£o ouvi na minha cabe√ßa, ?fa√ßa, fa√ßa, fa√ßa?. N√£o me lembro de mirar. Apenas puxei o gatilho com for√ßa, cinco vezes?. Afinal, que vozes eram essas? Chapman n√£o tinha passado de maluco. Ao contr√°rio, levava uma vida social normal e era considerado um excelente monitor em acampamentos de garotos. A explica√ß√£o: algu√©m s√≥ poderia estar controlando a mente de Chapman.

Uma nova revela√ß√£o, divulgada em 2004, jogou luz sobre a tese de compl√ī. David Shayler, ex-agente do MI5, disse que os governos brit√Ęnico e americano trocaram informa√ß√Ķes sobre a suposta doa√ß√£o de 75 mil libras do m√ļsico ao IRA. Sob suspeita de apoiar e patrocinar os terroristas irlandeses, Lennon precisava ser eliminado. A vi√ļva, Yoko Ono, negou a liga√ß√£o do marido com o IRA e lembrou que ele defendia os direitos civis. Entretanto, os arquivos existem e estavam classificados pelo FBI como de ?seguran√ßa nacional?. Isso mostra que o autor de ?All You Need is Love? era investigado de perto pelas intelig√™ncias americana e brit√Ęnica no in√≠cio dos anos 70.

Dem√īnios √† solta

Para um astro da grandeza de Lennon, apenas um compl√ī seria pouco. A segunda causa da morte envolve for√ßas mais poderosas do que os governos da Terra. As vozes que mandaram Chapman apertar o gatilho seriam do diabo, a quem Lennon teria oferecido a pr√≥pria alma em troca de fama e sucesso. A d√≠vida seria cobrada quando o beatle gozasse o momento mais feliz de sua vida. Parece fantasia? Pode ser, mas a hist√≥ria a seguir √© verdadeira. A inf√Ęncia e a adolesc√™ncia de Lennon foram marcadas por trag√©dias e desilus√Ķes: ele cresceu sob a guarda da tia Mimi, sem a presen√ßa do pai e da m√£e. Aos 17 anos, estreitou la√ßos com a m√£e, mas ela morreu atropelada logo depois. O primeiro casamento de Lennon, com Cynthia, foi um fracasso. Os Beatles acabaram em 1969. Mesmo os primeiros anos de relacionamento com Yoko foram conturbados. Os dois brigaram e se separaram em 1973. Naquele 8 de dezembro de 1980, o casamento e a carreira do m√ļsico flu√≠am bem. Lennon dizia que, pela primeira vez em 40 anos, estava feliz. Mera coincid√™ncia? N√£o se voc√™ acreditar na conspira√ß√£o. Chapman escutou a frase demon√≠aca ?fa√ßa, fa√ßa, fa√ßa?, sacou o rev√≥lver e disparou cinco tiros, quatro deles certeiros. Pacto encerrado.

Como essa trama pode ser comprovada? Nas m√ļsicas, capas de discos e declara√ß√Ķes dos Beatles, afirmam os defensores da teoria. No come√ßo dos anos 60, Lennon revelou que o nome The Beatles havia sido sugerido durante uma vis√£o, por um homem que aparecera numa torta flamejante. A criatura vinha do inferno e chamava-se Pepper, n√£o por acaso o sargento do aclamad√≠ssimo trabalho dos rapazes de Liverpool. Em 1966, declarou que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Junto com os parceiros de banda, adotou a ma√ß√£ como nome e s√≠mbolo da gravadora Apple (ma√ß√£) ? como se sabe, a fruta que o diabo ofereceu a Ad√£o e Eva. Lennon e Yoko foram morar no Edif√≠cio Dakota, onde foi filmado O Beb√™ de Rosemary, de Roman Polanski, sobre uma seita √† espera do nascimento do dem√īnio. Arrependido do contrato com o diabo, Lennon deu sinais de desespero. Ele pediu socorro em can√ß√Ķes como ?The Ballad of John and Yoko? ? ?Acho que eles v√£o me crucificar?. Como explicar que Lennon vivia infeliz apesar de todo o sucesso de sua banda? Explica-se: ele sabia que, se demonstrasse alegria, chegaria a hora de morrer. At√© dez anos depois da dissolu√ß√£o do grupo de rock mais cultuado do planeta, Lennon disfar√ßou bem. At√© que o endiabrado credor resolveu p√īr Chapman √† frente do Edif√≠cio Dakota. Dif√≠cil acreditar? N√£o para quem ama uma conspira√ß√£o.



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